O gato com vertigens é um blog que se destina a todos aqueles que tiverem algo de inteligente para dizer ou que queiram aprender mais sobre o mundo em que vivemos. Quer seja um comentário a uma notícia, um elogio, uma celebração, um desabafo ou uma denúncia, a sua opinião é bem-vinda.

 

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

Vocabulário do condutor brasileiro

  • Abreviatura: Acto de abrir um carro.
  • Caminhão: Estrada muito grande.
  • Rodapé: Aquele que tinha carro, mas agora anda a pé.
  • Talento: Característica de algo que anda devagar. Exemplo: Barrichelo, talento nas rectas, talento nas curvas...
  • Tripulante: Especialista em triplo salto.
  • Vatapá: Ordem dada por Presidente da Câmara de cidade esburacada.

publicado pelo gato Straycat às 22:03

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Guia para conduzir em cidades grandes

  • O verdadeiro condutor citadino nunca usa os piscas. Pode denunciar as suas verdadeiras intenções.
  • Do mesmo modo, nunca usa o cinto de segurança, pois acha que isso é coisa de mariquinhas.
  • Em nenhuma circunstância se deve deixar uma distância segura entre o nosso carro e o da frente, sob pena do espaço ser ocupado por outro condutor, colocando-nos numa situação perigosa.
  • Atravessar dois traços contínuos é considerado «acompanhar o ritmo do trânsito».
  • Nunca deverá ultrapassar pela esquerda, quando pode fazê-lo pela direita. É uma boa forma de se assustar as pessoas que entram na auto-estrada.
  • Os limites de velocidade são números arbitrários, dados apenas como sugestões e aparentemente não são aplicáveis nas áreas urbanas durante a hora de ponta.
  • Reduza sempre a velocidade quando vê um acidente ou alguém a mudar um pneu.
  • Sempre que verificar a aproximação de um veículo de marcha urgente (ambulâncias, bombeiros, Serviços de Emergência, etc.) atravesse-se no caminho deles. Afinal de contas eles não são mais do que você.
  • Todos pensam que têm carros melhores do que o seu, em especial taxistas e condutores de camiões, pelo que deve ultrapassá-los em todas as ocasiões.
  • Faz parte da tradição buzinar para os condutores que não avancem quando o semáforo fica verde.
  • Não esqueça que o objectivo de qualquer condutor de cidade grande é chegar ao seu destino em primeiro, independentemente dos meios utilizados.
  • A chuva, o gelo e o nevoeiro não são motivo para ignorar qualquer uma destas regras, mas sim uma maneira de garantir a sobrevivência dos bate-chapas, dos ferros-velhos, das seguradoras e dos vendedores de automóveis.
publicado pelo gato Straycat às 21:52

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Diário de um condutor recém-aprovado

Que Deus me perdoe!
5 de Janeiro
Passei no exame de condução! Posso agora conduzir o meu próprio automóvel, sem ter de ouvir as recomendações dos oito instrutores, sempre a dizerem-me «Por aí é sentido proibido!», «Vamos em contra-mão!», «Olha a velhinha! Trava! Trava!», e outras coisas do género. Nem sei como aguentei estes últimos dois anos e meio...
 
8 de Janeiro
A Escola de Condução fez-me uma festa de despedida. Os instrutores nem sequer deram aulas. Um deles disse que ia à missa, julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se, para comemorar.
Achei simpática a despedida, mas penso que o facto de eu ter tirado a carta não merecia tal exagero.
 
12 de Janeiro
Comprei carro. Infelizmente tive que deixar o carro no concessionário, para substituir o pára-choques traseiro, porque, quando tentei sair, meti a marcha-atrás em vez da primeira. Deve ser falta de prática. Há já uma semana que não conduzia!
 
14 de Janeiro
Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair do stand, que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiveram a mesma ideia, pois fui seguido por inúmeros automóveis, todos a buzinar como num casamento. Para não parecer antipático, entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5 km/h. Os outros gostaram, passando a buzinar ainda mais.
 
22 de Janeiro
Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram enormes sinais avisando em grandes letras «ATENÇÃO ÀS MANOBRAS», marcaram com tinta branca um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de sair à rua enquanto durassem as manobras.
Penso que é tudo para não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...
 
31 de Janeiro
Os outros automobilistas estão sempre a buzinar e acenar-me. Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. É que um deles apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que me apontava, quase bati. O que valeu foi que eu ia à minha velocidade de cruzeiro de 10 km/h.
 
10 de Fevereiro
Muitos automobilistas têm hábitos realmente estranhos. Para além de acenarem muito, estão sempre a gritar. Não os ouço, por ter os vidros fechados, mas julgo que me querem dar informações. Digo isto porque julgo ter percebido um a dizer «Vai para casa». A ser verdade, é espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde eu ia. De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão de abrir os vidros vou tirar muitas dúvidas.
 
19 de Fevereiro
A cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje a minha primeira condução nocturna e tive de andar sempre nos máximos, para ver convenientemente. Todos os automobilistas com quem me cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadelas. Talvez para espantar algum cão ou gato. Sei lá.
 
26 de Fevereiro
Hoje tive um acidente. Entrei numa rotunda, e como havia muitos automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonto e fui chocar com o monumento ao centro da rotunda. Acho que deviam limitar a circulação nas rotundas a um carro de cada vez.
 
3 de Março
Definitivamente, estou em maré de azar. Fui buscar o carro à oficina e, logo à saída, troquei os pedais, acelerando a fundo em vez de travar. Abalroei um carro que ia a passar, amassando-lhe todo o lado direito. O automobilista era, por coincidência, o engenheiro que me fez o exame de condução. Um bom homem, sem dúvida. Insisti em dizer-lhe que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de repetir: «Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!».
publicado pelo gato Straycat às 02:15

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