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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Gatos famosos 17.a - O Gato de Cheshire (Alice no País das Maravilhas)

- Poderias dizer-me, por favor, que caminho hei-de tomar para sair daqui?

- Isso depende do sítio onde queres chegar! - Disse o Gato.

- Não interessa muito para onde vou... - retorquiu Alice.

- Nesse caso, pouco importa o caminho que tomes - interpôs o Gato.

- Desde que chegue a algum lado! - Acrescentou Alice à laia de explicação.

 

Alice no País das Maravilhas
O Gato de Carroll mostra-se à menina como um companheiro nos momentos em que ela precisa de uma resposta sobre o que fazer. É um dos poucos personagens com quem ela consegue manter um diálogo mais brando e também o único que a explica o porquê de determinadas coisas. É ele, por exemplo, quem diz a Alice que todos, naquela terra, são loucos e que o motivo de ela estar lá seria porque, provavelmente, teria sua própria dose de loucura.

Ele é, pois, a criatura sábia que conduz e aconselha Alice em sua aventura, uma espécie de Grilo Falante, uma consciência figurativa. E é, ainda, o pensamento científico da narrativa porque comprova o que fala, embora mantenha sempre sempre uma linha tênue entre a genialidade e a loucura.

Como surgiu a Alice?

Charles Dodgson, ou melhor, Lewis Carroll já que estamos a falar da sua faceta de romancista, era um homem tímido, introvertido e conservador. Gostava imenso de crianças e de lhes contar histórias.

No dia 4 de Julho de 1862, convidou as três filhas do seu amigo Liddell - Alice, Lorina e Edite - para um passeio de barco no rio. Durante o passeio, como já era hábito sempre que estavam na companhia de Lewis, as três meninas pediram para que lhes contasse uma história muito divertida. Lewis começou a contar a história à medida que ia remando ao longo do rio. Fez três tentativas para que a história terminasse mas as meninas não o permitiram e iam pedindo para que continuasse. Quando a história terminou já passava das oito da noite e com ela findou também o passeio de barco dos quatro amigos.

Antes de se deitar, nessa mesma noite, Lewis escreveu toda a história tal como a tinha contado a Alice e às suas irmãs. Chamou-lhe Alice Debaixo da Terra. Só dois anos mais tarde, em 1864, é que a tornou a ler. Acrescentou-lhe então algumas personagens, acrescentou alguns capítulos (a história ficou com, sensivelmente, o dobro das páginas) e alterou o título para Alice no País das Maravilhas.

O livro foi editado, no ano seguinte, em 1865. Seguiu-se-lhe, seis anos mais tarde, Alice do outro Lado do Espelho, em 1871.
Quem lê estes dois livros maravilhosos e descobre todo aquele mundo de aventuras fantásticas e personagens mirabolantes, livros onde tudo parece governado pelo acaso e criado ao sabor da imaginação de Lewis Carroll, desengane-se. Muitas das personagens e situações dos livros foram inspirados em pessoas e factos reais pertencentes do quotidiano de Lewis e da comunidade onde viveu.

Foi Alice Liddell, a filha do seu amigo Liddell, que inspirou Lewis para dar vida à pequena Alice. No entanto, apesar da proximidade entre ambas, não há registos das reacções da verdadeira Alice aos dois romances que Carroll escreveu. Talvez porque as diferenças entre ambas eram também evidentes: Alice Liddell era uma rapariga morena, banal e insípida, ao contrário da Alice de Lewis que era loira, esperta e espevitada.

Também a nogueira onde aparece o Gato de Cheshire, o gato que está sempre a rir, ainda hoje pode ser vista no jardim do Colégio de Deanery...
E, na Catedral de Ripon, onde o pai de Lewis exercia funções de reverendo, existe talhada em madeira uma imagem de um grifo que serviu de inspiração para o Grifo amigo da Falsa Tartaruga, grifo que é também o símbolo do " Trinity College".
Os poemas e os versos que Alice recita, e que parecem não ter sentido nenhum, são sátiras aos poemas enfadonhos que as crianças inglesas daquela época tinham que saber de cor.
Quanto ao poema que Alice descobre no Livro do Espelho, e que só se consegue ler quando está reflectido no espelho porque está escrito ao contrário, foi na realidade escrito pelo sobrinho de Lewis, Stuart Dodgson Collingwood. 
Também o dia do Lanche Maluco não é uma data ao acaso mas sim o verdadeiro dia de aniversário de Alice Liddell, 4 de Maio.
A história que o Chapeleiro e a Lebre de Março contam a Alice sobre as três irmãs que vivem num poço de mel - Elsie , Lacie e Tillie - refere-se às três irmãs Liddell, respectivamente, Lorina, Edite e, claro está, Alice.
A Porta que Alice ordena ao criado Rã que abra, é a caricatura da porta Norman da sacristia da Igreja onde o pai de Lewis Carroll era Reverendo.
O Capítulo sobre o Leão e o Unicórnio é inspirado nos símbolos das bandeiras de Inglaterra e Escócia, respectivamente.
Lewis aproveitou as características mais marcantes de alguns dos seus colegas na Universidade de Oxford e utilizou-as na caracterização de algumas das personagens dos seus livros:

  •  Professores que dão conselhos filosofais a Alice, tal como a Lagarta;
  • O professor Bartholomew, apaixonado por morcegos;
  • O seu colega Duckworth que inspira Lewis no desenho do Pato.

Professores que tal como Humpty Dumpty seriam capazes de discutir, com Alice, questões de semântica.

O próprio muro onde Humpty Dumpty se balançava é uma caricatura dos muros da Universidade Oxford.

Na beira do Lago, onde Lewis e as três irmãs passeavam de barco, existiam de facto algumas cobras que inspiraram Lewis na história do Pai Guilherme que equilibrava uma cobra no nariz. As três crianças tinham também, dias antes, assistido a uma actuação de equilibristas e acrobatas que estava de passagem por aquela região.

Quer tudo isto seja ou não pura coincidência, o certo é que as aventuras e peripécias de Alice continuam a encantar os seus leitores, jovens e adultos, tal como naquela tarde soalheira de domingo, encantaram as meninas Liddell. Aliás, os livros foram publicados, sem existir indicação de se eram para crianças ou para adultos. Quem os lê, independentemente da idade, fica fascinado com tanta loucura e disparate.

O êxito de Alice foi tal que a verdadeira Rainha - não a de Copas, mas a Rainha Vitória - chamou Lewis Carroll à sua presença dizendo-lhe que tinha adorado o livro. E perguntou:
- O Sr. já escreveu mais algum livro?
- Já, Majestade. Já escrevi mais alguns além deste!
- Quero lê-los todos! Mande-me um exemplar de cada!
No dia seguinte, chegavam à presença de sua Majestade, a Rainha Vitória, todos os tratados matemáticos escritos por Charles Dodgson (Lewis Carroll).

Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/alice/comosurgiu.htm

 

Links:

Descrição do gato: http://www.alice-in-wonderland.net/school/cheshire-cat.html 

Um sorriso sem gato: http://www.bbc.co.uk/tees/features/tees_trail/tees_croft.shtml

Artigo sobre a escultura de Grappenhall: http://www.virtual-knutsford.co.uk/frameset.php?main=/archaeology/j_cheshirecat1.htm

As possíveis origens do Gato de Chesire: http://www.purr-n-fur.org.uk/fabled/cheshire/cheshirecat.html

 

 

publicado pelo gato Straycat às 18:15

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